Em entrevista de 40 minutos, presidente e candidato à reeleição respondeu sobre inquéritos, INSS, dívida pública e segurança, e usou boa parte do tempo para apresentar resultados do governo

27.08.2026 – O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante entrevista ao Jornal Nacional, nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro (RJ). Foto: Ricardo Stuckert.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), participou nesta quinta-feira (27) de uma sabatina individual na Globo, conduzida pelos jornalistas César Tralli e Renata Vasconcellos, parte de uma série que recebe, separadamente, os seis candidatos à presidência mais bem colocados na pesquisa Quest de 14 de agosto. Em 40 minutos, Lula respondeu sobre investigações da Polícia Federal, o escândalo do INSS, dívida pública e os planos de governo para educação e segurança.

“Não sou juiz, sou presidente da República e pai”

Questionado sobre os três inquéritos que investigam seu filho, Fábio Luiz Lula da Silva, por suspeita de tráfico de influência, Lula foi direto ao separar os papéis:

“Eu não sou do Ministério Público, eu não sou delegado, eu não sou juiz, eu sou presidente da República e pai do Fábio. Se o Fábio cometeu qualquer ato ilícito, ele terá que pagar como qualquer cidadão brasileiro. Eu não vou afastar delegado da Polícia Federal, eu não vou fazer qualquer movimento para que meu filho seja protegido.”

O presidente lembrou o próprio histórico com a Lava Jato para justificar por que não vai interferir nas apurações:

“Eu fui vítima disso, na Lava Jato, da maior mentira montada neste país. Fiquei 580 dias na cadeia porque somente eu sabia a verdade e eu queria provar. Com meu filho vai acontecer a mesma coisa. Se ele fez erro, ele pagará. Ele não será protegido por ser meu filho.”

A mesma resposta foi dada sobre o ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, investigado por suposto recebimento de vantagens: “Não é adequado. É totalmente errado. Agora cometeu erro, paga o preço do erro cometido”, afirmou Lula, ao mesmo tempo em que disse acreditar, por ora, na versão de Marcola de que se tratou de um empréstimo pessoal.

Sobre o aliado Jacques Wagner, investigado no caso do Banco Master, Lula defendeu o princípio da presunção de inocência: “As pessoas são inocentes até prova em contrário. Eu não posso colocar em dúvida o comportamento e a relação do Wagner comigo por conta de uma ilação.”

“A quadrilha foi criada em 2019. Foi o meu governo que a desmontou”

Sobre o escândalo de fraudes no INSS, que atingiu milhões de aposentados e pensionistas entre 2019 e 2024, Lula destacou que a quadrilha foi identificada e que já houve ressarcimento:

“Nós já demos a explicação. Primeiro, que nós já devolvemos o dinheiro aos aposentados. Não tem um aposentado que foi roubado e que não teve o dinheiro devolvido. E esse dinheiro vai ser ressarcido pelos bens que nós apreendemos da quadrilha, uma quadrilha que foi montada em 2019.”

O presidente também prometeu uma solução para outro problema histórico da Previdência: “Se você prometer que vai à Brasília, eu, na semana que vem, vou anunciar que a fila zerou. A espera de 45 dias vai estar apenas em 250 mil pessoas, que é o normal.”

“Fui o único presidente a fazer superávit primário por oito anos”

Diante de perguntas sobre o crescimento da dívida pública, Lula não recuou: apresentou o próprio histórico fiscal como resposta.

“Eu fui o único presidente na história do Brasil que fez superávit primário durante oito anos do meu primeiro mandato. Nos países do G20, eu fui o único que fez superávit primário durante oito anos. Eu herdei esse governo em janeiro de 2023 com déficit fiscal de 2,8%. Este ano, vamos ter superávit primário. Se tem alguém nesse país que tem responsabilidade fiscal, sou eu.

Sobre os Correios, alvo de prejuízo recorrente, a resposta também foi direta: privatização está fora de cogitação.

“Não considero vender o Correio. Considero recuperar o Correio para ele prestar serviço de qualidade ao povo brasileiro.”

Educação e segurança: o que Lula promete para um quarto mandato

Ao falar de educação, Lula defendeu o histórico do governo em ampliar acesso, tempo integral, Fundeb, expansão de institutos federais e universidades, e anunciou o rumo que pretende dar caso reeleito: “Eu quero fazer uma revolução tecnológica nesse país. Esse país vai ter que ser dono dos minerais críticos e das terras raras. Esse país vai ter que apostar numa inteligência artificial com linguagem portuguesa.”

Sobre segurança pública, o presidente defendeu a aprovação da PEC da Segurança Pública como caminho para criar o Ministério da Segurança Pública e definir com clareza o papel de União, estados e municípios: “A hora que aprovar a PEC da Segurança Pública, eu crio o Ministério da Segurança Pública. Meu desejo é recuperar o território para o povo.” 

Nas considerações finais, Lula fez um balanço da própria trajetória:

“Eu vivo hoje, aos 80 anos, o melhor momento da minha passagem pelo planeta Terra. É muito estranho dizer que o metalúrgico sem diploma universitário é o presidente que mais fez universidade nesse país, o que mais fez instituto federal. Quando eu cheguei na presidência, nós tínhamos 5 milhões de trabalhadores no mercado de trabalho com diploma universitário. Hoje temos 25 milhões. E eu quero chegar a 50. Porque eu quero que o Brasil seja exportador de inteligência e de conhecimento, não só de minério de ferro, soja e milho.”

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