Campanha de Lula lança mobilização nacional pela soberania alimentar
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A campanha de Lula deu a largada oficial para a mobilização da agenda de segurança e soberania alimentar e nutricional rumo a 2026. A Plenária Soberania Alimentar, coordenada por Lilian Rahal, secretária nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, reuniu representantes do governo federal, pesquisadores, integrantes de movimentos sociais, especialistas da área e a coordenação da campanha em torno de um objetivo comum: transformar o combate à fome em um dos eixos centrais da disputa eleitoral.
O primeiro passo de um processo mais longo
Ao abrir os trabalhos, Lilian Rahal deixou claro que o encontro era apenas o início de uma caminhada que vai atravessar toda a campanha:
“Este é um primeiro passo. Trata-se da primeira reunião voltada para a mobilização dessa agenda que estamos construindo para o próximo mandato do presidente Lula. (…) A ideia é que este seja um momento oficial de largada da mobilização da agenda de segurança e soberania alimentar e nutricional, uma pauta em torno da qual todas e todos nós estamos mobilizados.”
Ela lembrou que a disputa será “muito rápida e muito dura” e que, a partir do lançamento oficial da campanha, no próximo domingo, o ritmo de trabalho vai se intensificar ainda mais: “teremos muito trabalho pela frente: elaborar, produzir, correr, militar e mobilizar.”
Os números que separam dois projetos de país
Em mensagem gravada, a ex-ministra Tereza Campello apresentou a segurança alimentar como um dos temas mais eficazes para evidenciar a diferença entre os projetos políticos em disputa:
“Essa agenda tem um potencial extraordinário para explicitar as diferenças entre os projetos políticos que estão em disputa. Ela é importante porque chega diretamente à casa e à mesa da população brasileira.”
Tereza destacou três exemplos concretos dessa diferença. O primeiro é a saída do Brasil do Mapa da Fome, resultado de políticas construídas entre 2003 e 2016 e desmontadas durante o governo Bolsonaro, o que fez o Brasil voltar ao Mapa da Fome. Já no atual governo Lula, essas políticas foram reconstruídas e o país saiu do Mapa da Fome novamente. O segundo é o Programa Nacional de Cisternas, que já garantiu 1,4 milhão de cisternas e acesso à água de qualidade para quase 6 milhões de nordestinos, também desmontado e depois retomado. O terceiro é a política de valorização do salário mínimo acima da inflação, interrompida no governo anterior e recuperada nos últimos anos.
Brasil soberano é um país que alimenta
O moderador da plenária, Marcos Lopes, apresentou o processo de construção do programa de governo para a área, descrito como resultado de cerca de 40 dias de elaboração participativa com militância, setoriais, centrais sindicais e movimentos sociais. Segundo ele, o documento parte de um diagnóstico duro: o país recebeu uma herança de 33 milhões de pessoas em situação de fome, segundo dados da Rede Penssan.
A proposta está organizada em torno do lema “Brasil soberano é um país que alimenta: comida de verdade e bem viver do campo à mesa”, estruturado em sete ideias-força. A primeira delas, destacada por Marcos Lopes, resume o compromisso central da agenda:
“Fome nunca mais.”
Segundo ele, isso significa proteger as conquistas já feitas contra qualquer retrocesso, defendendo o fortalecimento do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (SISAN) e o financiamento permanente da agenda.
A estratégia de mobilização para os próximos 50 dias
Um dos momentos centrais da plenária foi a participação do ministro Guilherme Boulos, coordenador de mobilização da campanha, que apresentou a estratégia que vai orientar o trabalho até a eleição:
“Estruturamos a mobilização em três grandes eixos para os próximos 50 dias.”
O primeiro eixo é a mobilização por segmentos sociais. A soberania alimentar é um dos 28 segmentos organizados pela campanha, ao lado de temas como cultura, meio ambiente e mulheres. O segundo é a mobilização territorial, feita por meio da criação de comitês municipais, de bairro, estudantis e organizados por categoria profissional. E o terceiro é a mobilização digital, puxada pela iniciativa Porta-Vozes do Lula, que já reúne 130 mil participantes recebendo diariamente orientações e materiais para compartilhar.
Boulos também colocou a disputa em um contexto mais amplo: desde o retorno de Donald Trump ao governo dos Estados Unidos, em janeiro de 2025, a direita e a extrema direita venceram todas as eleições realizadas na América Latina, o que reforça, segundo ele, a importância de uma mobilização coordenada nas redes e nos territórios. O lançamento oficial da campanha está marcado para o próximo domingo, na Vila Euclides, em São Bernardo do Campo.
Como participar
Comida na mesa não pode ser privilégio. Se você atua com agricultura familiar, agroecologia ou combate à fome, ou simplesmente acredita que alimentação é um direito básico, este é o momento de se somar à mobilização pela soberania alimentar na sua cidade.
👉 Cadastre seu Comitê pela Soberania Alimentar: https://comitepopular.org.br/registre-seu-comite/
👉 Acompanhe as próximas mobilizações: https://www.instagram.com/comitepopularoficial/
Se você participou da plenária ou atua na luta contra a fome, compartilhe esta matéria nos grupos de WhatsApp da sua rede e convide outras pessoas a se somarem à mobilização.
