O maternar é político: comitê nacional das mães entra na disputa pela reeleição de Lula 

O Comitê Nacional Mães com Lula foi lançado com força em uma plenária virtual que reuniu lideranças de todas as regiões do país. Coordenado por Lizandra Dawany, da Executiva Nacional do PT, e mediado por Vivian Farias, o encontro reuniu ministras, parlamentares, candidatas e militantes históricas do movimento de mulheres em uma noite marcada por relatos pessoais, dados concretos de governo e uma convocação direta: organizar comitês de mães em cada bairro, cidade e estado do Brasil até a eleição. 

Ao dar ínico, Vivian Farias resumiu o espírito do encontro: a plenária nascia para dar às mães um protagonismo que a política, historicamente, tenta lhes negar. Na sequência, Lizandra Dawany assumiu a coordenação e apresentou o argumento central que atravessaria toda a noite: “a nossa primeira tarefa aqui é reafirmar que o maternar é político. O maternar não é uma tarefa privada, restrita às mulheres dentro de suas casas, o maternar é totalmente político.” 

Ouvir quem ainda não foi ouvida

A primeira grande fala institucional da noite coube à ministra das mulheres Márcia Helena Carvalho Lopes, do Desenvolvimento Social, que uniu trajetória pessoal e estratégia política. Ela mencionou reuniões recentes com mães de vítimas de violência policial na Baixada Santista e no Rio de Janeiro, e uma viagem marcada para o dia seguinte às favelas da Maré, no Rio, um giro que, segundo ela, é parte do método: ir atrás das mulheres que ainda não estão no debate.

“Fazer um grupo, fazer um debate ‘Mães com Lula’ significa, antes de mais nada, que nós temos que ir atrás dessas mães. Nós temos muito pouco tempo de campanha, e as mulheres elegem quem elas quiserem, as mulheres mães, as mães solo, as mulheres de periferia, quilombolas, indígenas. Agora nós precisamos chegar nelas.”Márcia resumiu a tarefa da militância em uma imagem: “nós temos que pôr bilhetes na mão do presidente, bilhetes de mulheres que são mães e que sofrem tudo isso que nós falamos aqui.”

Duas parlamentares, duas frentes da mesma luta

A candidata a deputada federal pelo Amazonas, Anne Moura, acompanhou a plenária virtual ao lado de mães e crianças, no espaço Casa Florescer, em Manaus, e aproveitou a ocasião para já declarar instalado ali o primeiro comitê local. Ela falou sobre o custo pessoal de conciliar maternidade e vida pública, e sobre o que a plenária representava para romper esse silêncio: 

“Eu não tenho problema nenhum em dizer que eu era uma pessoa antes e depois de me tornar mãe. A maternidade me revolucionou. Mães na política cabem também, e têm que ocupar esse espaço.”

Logo depois, a coordenadora nacional do Bolsa Família, Eliane Aquino, trouxe números que dão dimensão ao tamanho da base que o comitê pretende organizar: o programa tem 49 milhões de beneficiários, dos quais quase 30 milhões são meninas e mulheres, e 84% dos responsáveis familiares cadastrados no programa são mulheres, em grande parte mães solo, negras e periféricas. Eliane também fez um convite direto à militância mais jovem:

“Quero parabenizar Ana Clara, Lisandra, Vivian e Anne por terem montado esse coletivo. Eu me deparei, no primeiro momento, minimizando isso, e depois parei para olhar para a minha própria história e pensei: eu queria muito que alguém tivesse me puxado lá atrás, no momento em que eu me tornei mãe solo com duas crianças pequenas.” 

Mazé Morais oficializa o lançamento do comitê

Coube à Secretária Nacional de Mulheres do PT, Mazé Morais, o discurso que marcou formalmente o lançamento do Comitê Nacional Mães com Lula. Ela fez questão de diferenciar o que estava sendo criado de uma simples estrutura de campanha:

“Nós não estamos montando uma estrutura. Nós estamos lançando uma rede de mães disposta a participar, a se organizar e a ocupar o debate público. Somos 70% das mulheres eleitoras, isso significa que temos uma capacidade real de incidir no debate público e no processo eleitoral. Mas essa força só se transforma em mudança quando ela se organiza.”

Mazé também reconheceu a pluralidade das maternidades brasileiras, mães solo, negras, atípicas, indígenas, quilombolas, do campo e das águas, reforçando o objetivo que une o grupo: eleger Lula e, ao lado dele, uma bancada de mulheres comprometida com democracia e justiça social.

Erika Kokay: “é preciso ter muita política de afeto”

Uma das participações mais aguardadas da noite foi a da candidata a senadora pelo Distrito Federal, Erika Kokay, que conectou a mobilização das mães a duas pautas concretas de atuação no Congresso: a revogação da Lei de Alienação Parental e o fim da escala de trabalho 6×1.

“É preciso ter muita política de afeto, políticas que mexem com os nossos sentimentos, porque nós somos isso. A Lei de Alienação Parental penaliza as mães. Ela não protege as crianças; ao contrário, tira a proteção das mães justamente quando os direitos das próprias crianças estão sendo violados. Por isso é absolutamente fundamental que ela seja revogada.” 

Erika também chamou atenção para a sobrecarga específica das mães dentro da jornada de trabalho, descrevendo o fim de semana de quem cuida como uma “jornada sete por zero” dedicada a organizar a casa para a semana seguinte, argumento que, segundo ela, reforça a urgência de acabar com a escala 6×1. 

Anielle Franco reforça: maternidade também é missão política

Antes do encerramento, a ministra Anielle Franco entrou na chamada e fez questão de deixar seu recado às companheiras:

“Como mãe de duas meninas, mas também como mulher negra e favelada, quero dizer que as Mães com Lula estão prontas. A gente vai chegar disputando mentes, corações e narrativas, porque essa missão da maternidade também é uma missão poítica.”

Ela dedicou sua fala à memória de Marielle Franco e de Dona Marinete, sua mãe e reforçou a pauta do combate à violência obstétrica como parte da agenda do comitê.

Ana Clara Ferrari encerra: “a maternidade é uma pauta feminista”

Quem encerrou a plenária foi Ana Clara Ferrari, uma das idealizadoras do comitê, com uma síntese do que estava em jogo:

“A maternidade é uma pauta feminista. Ela muda a forma como a gente enxerga o mundo, e isso diz muito sobre as decisões que vamos tomar sobre a nossa própria vida, sobre os nossos corpos. A maternidade não é só da nossa barriga para frente, ela também é da nossa barriga para trás, porque diz respeito às nossas próprias mães.”

As 13 bandeiras do comitê

A plenária também consolidou uma pauta política com pontos que vão da revogação da Lei da Alienação Parental e do fim da escala 6×1 à universalização das creches e das escolas de tempo integral, passando pela ampliação da licença-maternidade, políticas específicas para mães atípicas e mães solo, e a criação de um programa de acompanhamento das mães em cada fase da vida, da gestação à adoção.

Como participar

Se você é mãe, ou simplesmente acredita que o cuidado merece lugar central na política, o convite é direto: reúna companheiras e monte um comitê no seu bairro, na sua cidade ou no seu estado.

👉 Cadastre seu Comitê de Mães com Lula: https://comitepopular.org.br/registre-seu-comite/  

👉 Acompanhe as próximas mobilizações: https://www.instagram.com/comitepopularoficial/   

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