Plenária de Lula debate como ampliar a representação negra no Congresso
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A Plenária Nacional de Negras e Negros com Lula reuniu lideranças políticas, sindicais e do movimento negro no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo (SP), palco histórico da trajetória política do presidente Lula. O encontro colocou no centro do debate um problema estrutural: mesmo sendo maioria da população brasileira, negras e negros seguem sub-representados nos espaços de poder. A resposta discutida na plenária passou por três frentes que se reforçam: organização territorial, mobilização nas ruas e ampliação da presença negra nos parlamentos.
“Nós nunca ganhamos uma eleição no primeiro turno”
A Secretária Nacional de Nucleação do PT, Claudinha Lima, colocou a militância diante de um desafio inédito: vencer já no primeiro turno.
“Nós precisamos ganhar no primeiro turno. Esse é mais um desafio, nós nunca ganhamos uma eleição no primeiro turno. Nós precisamos eleger uma bancada em São Paulo, precisamos eleger senadores e senadoras aliados com o presidente Lula, porque temos que derrotar esse Congresso já no primeiro turno.”
Para Claudinha, essa vitória não vai se decidir só nas redes sociais. “A mobilização territorial é o puxa-gente, companheiros. Porque nós iremos ganhar as eleições nas redes, mas principalmente nas ruas”, afirmou, reforçando o convite para que a militância cadastre e divulgue os Comitês Populares de Luta já existentes pelo site http://comitepopular.org.br , ampliando a presença concreta em bairros, comunidades e municípios de todo o país.
Dois deputados negros entre 70: o retrato de São Paulo
Vicentinho, ex-metalúrgico, dirigente sindical histórico e ex-deputado federal pelo PT de São Paulo, trouxe um número que expõe a distância entre a população negra e sua representação política. Falando sobre a bancada paulista, ele foi direto:
“Nós temos 70 deputados federais em São Paulo. Temos dois deputados negros, que é o meu caso e o caso do nosso companheiro Orlando Silva. Olha que nós somos a metade do povo, ou pelo menos mais da metade, não é?”
No Congresso Nacional o quadro se repete: dos 513 deputados federais, apenas 31 são negros, segundo Vicentinho. Mas ele foi além do número absoluto, para ele, aumentar a presença negra no parlamento só tem sentido se vier acompanhada de compromisso real com as pautas históricas do movimento, já que nem todo parlamentar negro atua em defesa dessas bandeiras.
Vicentinho também recuperou parte do legado legislativo que ajudou a construir ao longo da carreira, projetos e leis voltados à valorização da história, da cultura e das religiões de matriz africana, entre eles o Dia Nacional das Tradições e Raízes de Matriz Africana e Nações do Candomblé, o Dia Nacional da Umbanda e a conquista do feriado nacional de 20 de novembro, Dia de Zumbi e da Consciência Negra.
“Tudo isso é bom, é maravilhoso. Entretanto, meu povo, o nosso povo continua pouco representado.”

“Iríamos ter 257 deputados”
Foi para dimensionar essa desigualdade que Vicentinho apresentou a conta que dá nome a esta reportagem: se a representação parlamentar da população negra fosse proporcional ao seu peso na sociedade brasileira, o Congresso teria outra cara.
“Se nós trabalharmos por aqui, nós somos mais da metade, iríamos ter pelo menos 257 deputados e deputadas. A história seria outra.”
Ele encerrou associando essa luta à própria trajetória do presidente Lula dentro do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, palco da plenária: “ainda bem que nós temos um presidente que, desde os primeiros dias da sua vida aqui no Sindicato, sempre assumiu a questão da negritude.”


Como participar
Se você é do movimento negro, sindicalista ou simplesmente acredita que o Congresso precisa parecer mais com o Brasil, este é o momento de se somar à mobilização na sua cidade.
👉 Cadastre seu Comitê de Negras e Negros com Lula: https://comitepopular.org.br/registre-seu-comite/
👉 Acompanhe as próximas mobilizações: https://www.instagram.com/comitepopularoficial/
Se você participou da plenária ou atua no movimento negro, compartilhe esta matéria nos grupos de WhatsApp da sua rede e convide outras pessoas a se somarem à mobilização.
