Do plantio à urna: campo se organiza para garantir a reeleição de Lula

A Plenária da Militância Agrária reuniu militantes da agricultura familiar, movimentos sociais, parlamentares e dirigentes partidários para debater os principais desafios do campo brasileiro e construir estratégias de fortalecimento das políticas públicas voltadas ao desenvolvimento rural. Crédito rural, cooperativismo, produção de alimentos, reforma agrária e ampliação da representação política dos trabalhadores do campo estiveram entre os temas centrais do encontro. 

Um agricultor no Congresso Nacional

O deputado federal Elton Welter (PT-PR), que se apresenta também como agricultor, trouxe a experiência de quem viveu na prática as políticas que hoje defende no Legislativo:

“No nosso campo agrário, eu falo também como agricultor. Eu utilizava o Pronaf antes de me tornar deputado federal. Tenho uma propriedade de dez alqueires no interior do Paraná.”

Para Elton, ainda existem comunidades sem acesso às políticas públicas necessárias, o que reforça a urgência de universalizar direitos econômicos e fortalecer o cooperativismo solidário. Ele destacou especialmente o papel do Pronaf voltado às mulheres, chamando-o de “revolucionário”, e defendeu que a pauta não pode ser flexibilizada enquanto o programa não alcançar todas as pessoas que desejam produzir alimentos.

O deputado também fez um chamado à unidade entre as diferentes frentes de luta do campo: “precisamos fortalecer o MST, os povos das águas, os povos das florestas, o cooperativismo solidário e integrar todas as lutas do campo”, defendendo ainda uma produção de alimentos livre de agrotóxicos.

O avanço conservador e a urgência de resistir no campo 

A Secretária Nacional Agrária do PT, Roseane (Rose) Silva, situou a pauta agrária dentro de um cenário mais amplo de avanço conservador, e alertou para o quanto esse avanço pode ser grave:

“A extrema direita aposta muito na ignorância e na ausência de informação. Ela conseguiu trazer novamente para o debate questões que nós acreditávamos já estarem superadas. Chegamos ao ponto de voltar a questionar o direito ao voto das mulheres.”

Rose lembrou que a violência não atinge só o espaço doméstico, mas também os povos das águas e das florestas “com muita intensidade”, e reforçou o peso internacional da disputa brasileira: “a reeleição do presidente Lula tem uma importância que ultrapassa as fronteiras do Brasil. O avanço da extrema direita não acontece apenas no nosso país, mas em todo o mundo.”

Ela também chamou atenção para o fato de que a pauta do campo, em especial a reforma agrária, segue sendo uma das mais criminalizadas do debate público, e defendeu a ampliação da bancada agrária no Congresso e nas assembleias legislativas estaduais como caminho para garantir orçamento e avanço legislativo para o setor.

O encerramento de sua fala resumiu o espírito da plenária, conectando alimentação, saúde e reconhecimento a quem produz:

“É a agricultura familiar e camponesa que coloca na mesa do povo brasileiro o alimento que combate a fome. Se não reconhecermos isso, não estaremos reconhecendo quem, de fato, alimenta o Brasil.”

Um espaço de escuta e construção coletiva

Mais do que uma reunião de balanço, a plenária funcionou como espaço de articulação entre governo federal, movimentos sociais e lideranças políticas ligadas à pauta agrária, alinhando prioridades e consolidando estratégias para ampliar o acesso a direitos de agricultores, assentados, quilombolas, indígenas e comunidades tradicionais. O debate reforçou ainda o papel central da agricultura familiar na segurança alimentar do país, são esses trabalhadores que produzem boa parte do alimento que chega diariamente à mesa da população brasileira.

Como participar

Se você é agricultor, agricultora, assentado, quilombola, indígena ou atua em qualquer frente da luta pelo campo, este é o momento de se somar à mobilização agrária na sua região.

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