Movimentos sociais, lideranças e representantes do governo federal se reuniram na Bahia para construir uma síntese política para a reta final da campanha de Lula

Salvador recebeu o encontro do Campo Unitário com Lula, que reuniu por dois dias e meio movimentos sociais, lideranças e representantes do governo federal para construir uma síntese política em torno da defesa dos territórios, da reforma agrária, da agricultura familiar, da agroecologia, da soberania e segurança alimentar e do fortalecimento das políticas públicas para as populações do campo, das florestas e das águas. Ao todo, 32 pessoas assinaram a lista de presença.

Na reta final da campanha, o encontro também serviu para reforçar a necessidade de intensificar o trabalho de base, ampliar a presença nos territórios e nas redes, transformar espaços de militância em comitês populares e dialogar com o eleitorado ainda em disputa, terminando com uma convocação à unidade dos movimentos populares pela reeleição do presidente Lula, pela ampliação da bancada aliada e pela continuidade das políticas públicas reconstruídas nos últimos quatro anos.

Se tentam nos dividir, a unidade nos fortalece

Vânia, da Bahia, apresentou a síntese política construída ao longo do encontro, colocando a defesa dos territórios no centro da atuação do Campo Unitário:

“Estamos defendendo que exista uma defesa dos nossos territórios. E que essa defesa perpasse pelo fortalecimento da reforma agrária, da defesa dos territórios tradicionais ancestrais, das águas, das sementes, da biodiversidade.”

Ela também defendeu a disputa por mais orçamento público para a agricultura familiar e o fortalecimento da organização popular, da formação política e da comunicação nos territórios: “Retomar e fortalecer o trabalho de base, a formação política das novas lideranças, especialmente jovens e mulheres.” Encerrou reafirmando o compromisso coletivo do encontro: “Saímos desse encontro com um compromisso de articular os movimentos sociais, fortalecendo as nossas bases. Se tentam nos dividir, a unidade nos fortalece. Viva a luta popular.”

Trinta dias para alterar essa correlação de força

Lucinha avaliou que o encontro deve contribuir diretamente para a reeleição do presidente Lula e cobrou intensificação imediata da mobilização:

“Nós temos concretamente trinta dias para poder alterar essa correlação de força, unificar, construir as nossas atividades, construir as nossas mobilizações, construir as nossas organizações.”

Para ela, o foco precisa ir além da própria militância: “O foco do nosso trabalho precisa ser, para além de levar informação para a nossa militância, fazer a disputa com esse povo que ainda está aberto para uma possível decisão.” Lucinha também deixou claro que o horizonte da mobilização não termina na eleição: “O que nós queremos não é só fazer o trabalho de campanha para reeleger o presidente Lula. Nós queremos fincar o pé para ajudar o presidente Lula a fazer um governo diferente no quarto mandato dele.”

Do campo para o prato

Fernanda Machiavelli destacou a reconstrução das políticas para o campo nos últimos quatro anos, com a retomada do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, mas reconheceu que o trabalho não está completo: “Não temos todas essas políticas universalizadas. A gente precisa de um outro mandato para fazer mais, para chegar para mais pessoas.” Ela defendeu uma campanha de proximidade: “Agora é olho no olho, é coração com coração, é capacidade da gente falar com quem a gente não concorda completamente.”

Silvio Porto reforçou a segurança alimentar como eixo central da agenda do Campo Unitário e defendeu que as propostas construídas no encontro sejam incorporadas ao programa de governo, fortalecendo o Ministério do Desenvolvimento Agrário. Já Betta resumiu o impacto concreto dessas políticas no dia a dia da população: “Tudo isso é comida no prato das pessoas. Tudo isso é comida mais barata. Tudo isso é alimentação escolar de maior qualidade.” Sobre o tempo restante de campanha, foi direta: “É pouco tempo, mas é o tempo suficiente para a gente chegar nas pessoas que, por algum motivo, estão desencantadas.”

Transformar cada espaço nosso de militância em comitê

Kelli apresentou orientações práticas para a mobilização das últimas semanas: “São quatro finais de semana que nós temos para poder fazer essa campanha ganhar os corações e mentes.” Ela defendeu que acampamentos, assentamentos, áreas de agricultura familiar e territórios pesqueiros se transformem em comitês de luta, e apresentou a plataforma dos Comitês Populares como ferramenta: nela é possível registrar o comitê, baixar uma cartilha orientativa e retirar materiais de campanha.

Reconstruir, defender, seguir

Outras falas reforçaram a mesma direção. Rose lembrou o quanto custou reconstruir políticas públicas depois de governos que tratavam os movimentos sociais como organizações criminosas, e convocou o Campo Unitário ao enfrentamento direto à extrema direita: “O fascismo não pode ter sossego.” Lilian Rahal relacionou a reeleição de Lula à defesa da democracia e ao combate à fome, resumindo o desafio à frente: “Comida no prato e bem viver no campo.” Loroana Santana reafirmou o compromisso com a assistência técnica e com políticas que respeitem a diversidade das populações do campo. E Felipe Freitas colocou a reeleição como tarefa mais urgente do momento, sem abrir mão de uma campanha propositiva: “A gente precisa denunciar a brutalidade do projeto da extrema direita, mas também anunciar com paixão, com entusiasmo, com beleza, a possibilidade que o nosso projeto político representa. Quem defende a vida nunca vai ser derrotado.”

“Não tem jogo ganho”

O encerramento, na Bahia, resumiu o espírito de todo o encontro:

“Nós estamos juntas nessa luta. Não tem jogo ganho. A estrutura está lá, mas os sonhos nos movem para a gente construir essa contra-hegemonia. Viva a luta popular, viva a luta por justiça, viva o nosso presidente Lula.”

Como participar

Se você atua no campo, nas florestas ou nas águas, ou acredita que a reforma agrária, a agricultura familiar e a soberania alimentar precisam de mais força política, o convite é direto: transforme seu espaço de militância em um comitê popular.

👉 Cadastre seu Comitê: https://comitepopular.org.br/registre-seu-comite/

👉 Acompanhe as próximas mobilizações: https://www.instagram.com/comitepopularoficial/

Se você participou do encontro ou quer fortalecer essa organização na sua região, compartilhe esta matéria nos grupos de WhatsApp e convide outros profissionais da área a se somarem à mobilização.

Acompanhe as redes do Comitê Lula Presidente 13 (@‌comitelula13 ) e no site http://comitepopular.org.br .